Resumo histórico da Fundação de Educação Artística

"Fundação de Educação Artística - 50 anos: um patrimônio da cultura musical no Brasil".
Heloísa Greco: Historiadora, Centro de Referência Áudio Visual

"A história da FEA não pára: diversifica"
Beatriz França - jornalista

1. As origens

A Fundação de Educação Artística foi criada, no ano de 1963, por um grupo de pessoas ligadas às artes, descontentes com o ambiente musical tradicionalista e desatualizado de Belo Horizonte. Esse grupo acreditava na necessidade de um trabalho inovador, democrático, destinado a difundir a educação musical para crianças, a propiciar oportunidades de formação profissional de qualidade para músicos e a contribuir para o desenvolvimento cultural e artístico da cidade.

Desde o início de suas atividades, a FEA se apresentou como centro de experimentação, renovação e difusão artística, buscando integrar-se às propostas modernizantes que marcaram o cenário cultural de Belo Horizonte ao longo do século XX nos campos das artes plásticas, da literatura e da arquitetura.

A FEA instalou-se como fundação de direito privado, sem fins lucrativos, tendo sido declarada de utilidade pública nos níveis municipal, estadual e federal. Seu primeiro presidente foi o jurista Caio Mário da Silva Pereira, autor do primeiro estatuto da entidade.

A Fundação instalou-se, inicialmente, em casa alugada, na Av. Bias Fortes, onde funcionaram, por um ano, os cursos de iniciação musical para crianças, de instrumentos e disciplinas teóricas.

Em convênio com o Colégio de Aplicação da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais, a Fundação de Educação Artística criou e manteve, durante os primeiros anos, classes ginasiais em que as crianças tinham a música como centro do currículo e eram encaminhadas à sede da Fundação para iniciarem-se no aprendizado dos instrumentos que escolhiam. Proposta inovadora, com grande potencial de representar um modelo alternativo e democrático de formação musical, teve, entretanto, curta duração, em função do novo cenário imposto à universidade brasileira a partir da instauração do regime autoritário militar no país.

No âmbito da cultura, a Fundação criou, já em 1963, as Manhãs Musicais, série dominical de concertos de música do século XX, precedidos de palestra ilustrativa e abertos ao público.

2. Desenvolvimento

A Fundação de Educação Artística impôs-se rapidamente nos meios culturais, colaborando com as principais entidades artísticas e atraindo, por suas propostas, alunos de diferentes faixas etárias. À medida que crescia o número de alunos e de cursos oferecidos, a FEA precisava deslocar-se para sedes mais amplas, sempre alugadas.

Em 1968, valendo-se de uma oportunidade e contando com o apoio decisivo dos professores - que doaram seus salários durante dois anos -, a instituição adquiriu a casa da Rua Gonçalves Dias, 320, no Bairro dos Funcionários.

A atividade cultural da Fundação, sobretudo a partir de 1967, crescera consideravelmente, criando a necessidade de um espaço cultural próprio. Em 1974/75, a idéia de construí-lo se concretizou com a edificação do pequeno Teatro Heloísa Guimarães. Essa construção foi projetada e executada por professores e alunos, tornando-se palco de inúmeros e importantes acontecimentos artísticos.

Nos 25 anos em que a FEA permaneceu nesse endereço, sua ação cultural solidificou-se com projetos de alcance local e nacional, como os Festivais de Inverno, os Ciclos e Simpósios de Música Contemporânea, os Ciclos de Música de Câmara.

Sua vocação social também foi reafirmada com a iniciativa de criação da Orquestra de Câmara da Fundação de Educação Artística. A iniciativa surgiu com o objetivo de proporcionar uma opção profissional para instrumentistas e uma alternativa cultural para a população, num momento crítico em que a orquestra existente na cidade havia encerrado suas atividades. O período foi marcado, ainda, pelo surgimento do Grupo Oficcina Multimédia e as oficinas de criação e de construção de instrumentos, que deram origem ao UAKTI - Oficina Instrumental.

Nesse período, o número de alunos dos cursos permanentes da FEA passara de 200 a 350. Em fins de 1989 a entidade vivia um de seus períodos mais difíceis. A diretoria, após consultas e reuniões, decidiu interromper em dezembro os cursos e outras atividades, acordando a demissão da maior parte de professores e funcionários. Em janeiro e fevereiro de 1990 um grupo designado para esse fim elaborou proposta para a reabertura, em março, apenas de cursos básicos e não deficitários. Essa medida, necessária naquela circunstância, reduziu drasticamente o número de alunos. A Fundação manteve-se em situação financeira razoavelmente equilibrada durante três anos. Entretanto, sua função social estava comprometida, já que as gratuidades tinham sido suprimidas. Logo a instituição preferiu romper o equilíbrio e voltar a conceder bolsas, o que permitiu o retorno dos cursos mais avançados. O número de alunos caíra a menos de 200 e, após a nova deliberação, voltou a crescer progressivamente, atingindo a marca de 300 alunos em 1995.

3. Os dias atuais

Em 1993, firmou-se contrato de incorporação com uma companhia construtora, pelo qual foi construída, no terreno da casa da Rua Gonçalves Dias, uma sede apropriada para abrigar todas as atividades que as antigas instalações da FEA já não comportavam.

A Fundação instalou-se, provisoriamente, em casa alugada no bairro Carmo-Sion, até ser concluída a nova sede, em 1997, cujo projeto arquitetônico é específico para abrigar diversos cursos e serviços. Esse projeto foi concretizado com modernos recursos técnicos de isolamento termo-acústico e com acabamento compatível com suas finalidades. Em 2002, a sede recebeu o nome de Centro Cultural Fernando Pinheiro Moreira.

Fruto de negociação que teve como base a casa adquirida em 1968 (com recursos próprios), a construção da nova sede contou ainda com o apoio do Fundo Nacional de Cultura para a execução dos projetos acústico e técnico da Sala de Música Sérgio Magnani, que é o espaço da FEA destinado a programações musicais e outros eventos.

A instalação da nova sede propiciou a potencialização das atividades que fazem da entidade, desde o início de sua história, um pólo de convergência e irradiação de intensa movimentação cultural. O êxito e a abrangência do 4º Encontro de Compositores e Intérpretes Latino-Americanos (2002), um dos eventos de maior expressão realizados pela FEA, deveu-se em grande parte à funcionalidade da nova sede que abrigou, em oito dias, dezessete concertos, mesas-redondas, oficinas, seminários, além de serviços como livraria, assessoria de imprensa e café.

Ao se transferir para a sede atual em 1997, as novas instalações receberam número crescente de alunos em seus cursos regulares, atingindo a marca de 400, em que se mantém.

De 30 a 40% de sua receita são aplicados em bolsas de estudos para cursos livres que atendem, semestralmente, a centenas de crianças, jovens e adultos. A FEA é deficitária e depende de problemática captação de doações e patrocínios para sua sobrevivência.

Rua Gonçalves Dias, 320
CEP: 30140-090 Belo Horizonte - MG
(31) 3226 6866contato@feabh.org.br

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